O Tarot de Marselha


O tarot des Marselha (Marseille) é um dos mais tradicionais da história desse oráculo. Tem esse nome porque teve origem na cidade de Marseille, na França, provavelmente no século XVI trazido por ciganos da Ásia Central.


Esse tarot se caracteriza pelos desenhos simples de seus arcanos, e é o mais conhecido e famoso tarot de todos os tempos. Atualmente existem várias versões suas e todas são derivadas do original que se popularizou na França a partir do final do século XV. Suas figuras são muito simples, mas também eficazes e apelativas, sendo capazes de mostrar profundos segredos. Além da simplicidade, esse baralho trazia a numeração das cartas em algarismos romanos e os títulos em francês.  Segundo o tarólogo, pesquisador e escritor Carlos Godo, "o tarot foi muito divulgado entre os árabes na época das Cruzadas, tendo sido trazido para a Europa pelos cavaleiros europeus que retornavam dos combates aos Mouros. Claro que, explica Carlos Godo, em pleno fugor religioso não se aceitariam cartas com motivos evidentemente orientais, por isso as cartas receberam uma "roupagem" condizente com os costumes da época. Datariam desse período as primeiras edições do tarot, de apresentação rústica e medieval, das quais conhecemos principalmente o tarot des Marselha, o qual é considerado pelos estudiosos como o mais primitivo tarot ocidental. Seria, portanto, o mais próximo de suas origens.", finaliza Carlos Godo.


No início do século XVIII, as figuras do tarot des Marselha foram entalhadas em madeira por Claude Burdel e a partir de então divulgada pelos impressores da época. No início suas lâminas eram coloridas à mão, sobre a impressão inicial dos riscos das figuras.  Marselha foi o maior centro de produção de baralhos de tarot da Europa nos séculos XVII e XVIII, e seu estilo foi copiado por fabricantes até de outros países. O tarot des Marselha teve grande influência sobre os jogos que surgiram nos séculos XVIII e XIX. Seu manuseio se tornou mais fácil quando B. P. Grimaud lhe fez algumas alterações, arrendondando-lhe os cantos e usando cores mais vivas, com predominância do vermelho e do azul. Em 1930 Paul Marteau, grande mestre das cartas na França, traduziu toda a simbologia do tarot des Marselha, redesenhando-o e fixando suas tonalidades definitivas.