O Tarot Egípcio e a Iniciação


Segundo Sérgio Geraldo Linke, presidente e professor da Associação Gnóstica de Brasília, “ No Antigo Egito o Tarot era um livro sagrado, assim como a Bíblia e o Alcorão. Nele estavam contidas as leis divinas, morais e os ensinamentos iniciáticos que orientaram o esplendor da civilização egípcia, que foi a inspiração dos gregos e romanos, os quais são a base de nossa cultura atual. O Tarot Egípcio pode ser usado de duas formas: a oracular e a iniciática. A forma iniciática pode nos indicar, baseada na mitologia egípcia, por quais “provas” o consulente está passando ou vai passar e de que forma poderá se sair bem delas, ou que tipo de virtudes precisará desenvolver para obter o autoconhecimento, além de como conseguir ajuda divina para isso”, explica Sérgio.


Em seu livro: “O Tarot Egípcio”, a taróloga Silvana Alasia nos relata que existem evidências de que as cartas do Tarot eram usadas por sacerdotes egípcios para fins adivinhatórios e para rituais de iniciação. O Tarot sintetizava os princípios e conhecimentos que seriam passados adiante, pois para os antigos egípcios ele era considerado um alfabeto em que cada letra, palavra e frase simbolizavam um caminho existencial na busca da harmonia.


O Tarot Egípcio contém o aprofundamento e os conhecimentos das etapas de desenvolvimento de toda uma vida. Ele indica os caminhos a serem traçados por aqueles que querem obter a iniciação e o conhecimento esotérico. É um Tarot que não se presta a “ler a sorte”, como muitos outros. Pois indica os caminhos para aqueles que, na rota da iniciação, buscam o conhecimento a partir das questões do cotidiano ou mesmo em cima de reflexões de natureza psicológica. O Tarot Egípcio retrata as concepções espirituais dos iniciados egípcios, derivadas de um passado ainda mais remoto, de Atlântida e Lemúria. Nele, a prática adivinhatória reveste-se do caráter esotérico da iniciação, cujo mistério consiste na busca do conhecimento a partir da consciência de si mesmo. Para alcançar essa consciência era preciso percorrer determinados “caminhos”, que eram os caminhos dos deuses Osíris, Ísis e Horus. Suas cartas são divididas em 3 grupos que representam esses caminhos.


A base da sabedoria egípcia eram os símbolos, cujos sentidos eram revelados metodicamente a cada um, de acordo com sua classe, função que exercia e progresso no aprendizado. Primeiro eram passados os princípios universais, os arcanos maiores, que são os fundamentos que modelam o caráter e depois eram passados os princípios práticos, que são os arcanos menores. Os arcanos menores estão vinculados a determinados passos iniciáticos, como os demais, e representam melhor os elementos diferenciados através dos quais os princípios universais associados aos arcanos maiores atuam no mundo físico, razão pela qual, tendo o mesmo simbolismo e transcendência, tem menor importância doutrinária e maior aplicativa.


O ocultista e escritor Oswald Wirth em seu livro “Essay upon the Astronomical Tarot” nos revela no seguinte trecho: “ De acordo com Paul Christian (discípulo de Eliphas Levi) os 22 arcanos maiores do Tarot representavam pinturas hieróglifas que foram encontradas nos espaços entre as colunas de uma galeria onde os neófitos deveriam passar durante a iniciação. Haviam 12 colunas ao norte e 12 ao sul, ou seja, 11 figuras simbólicas de cada lado. Essas figuras eram explicadas ao neófito em ordem regular, e continham as regras e os princípios da iniciação. Essa opinião é confirmada pela correspondência que há entre os arcanos quando eles são dessa forma arranjados. Na galeria do templo, as figuras eram arranjadas em pares, uma oposta à outra, de tal forma que a última era oposta à primeira; a penúltima à segunda e assim por diante. Quando as cartas são colocadas encontramos um significado interessante e profundo. Uma carta explica a outra e cada par mostra mais do que cada uma por si só”.


Há ainda outros textos antigos que dizem que os 22 arcanos maiores eram grandes pinturas existentes nas paredes de uma passagem secreta que ligava a grande pirâmide à Esfinge de Gizé, onde acontecia uma parte da iniciação espiritual dos neófitos.


As pinturas encontradas entre as colunas da sala dos arcanos eram consideradas uma linguagem sagrada, pois nestas pinturas cada carta tinha um número e uma letra; portanto, era um alfabeto das ciências ocultas, os princípios absolutos, as chaves universais que, se aplicadas da maneira certa, convertiam em fonte de toda sabedoria e poder. Cada letra, cada número e cada imagem expressavam uma lei ternária e tinham repercussão no mundo espiritual (divino), no intelectual e no físico. Explicava-se ao aspirante a sacerdote de Osíris que se seguisse o sentido das cartas, estas o conduziriam aos magos, e quando tudo isso acontecia havia a manifestação da vontade de Deus, manifestando a verdade e a justiça.


De acordo com a crença egípcia, para se tornar um iniciado era preciso percorrer com êxito as 22 etapas (arcanos) dos caminhos dos espírito, da alma e da realidade material, correspondentes aos deuses Osíris (pai), Ísis (mãe) e Horus (filho). Esses caminhos são diferentes e complementares, e simbolizavam um intrincado complexo mitológico, que forma a base da religião egípcia da antiguidade. Ser um iniciado significava ser um sábio e os sábios estavam sempre à frente dos demais.


A lenda da morte e ressurreição de Osíris é a parte mais importante da mitologia egípcia e fortaleceu a idéia da reencarnação, o que dava sentido para a vida dos egípcios. Para conseguir reencarnar era necessário passar pelas etapas de iniciação (os 3 caminhos) e se tornar um iniciado. Dessa forma conquistava-se a vida eterna.


Osíris era uma das maiores divindades egípcias. Seus caminhos são marcados pela crença, compreensão e experiências conscientes, conforme percebemos nos arcanos 1, 4, 7, 10, 13, 16 e 19. Os caminhos de Ísis, a mais importante deusa do Egito, deusa da fertilidade, do amor e da magia, eram os da divindade feminina, da mães, dos amantes e companheiros fiéis de vida, como observamos nos arcanos 2, 5, 8, 11, 14, 17 e 20.


Horus, o deus com cabeça de falcão e olhos expressivos representando o Sol e a Lua, era o deus do céu e era considerado um deus real, a encarnação terrena de uma divindade, amado por Maat, a deusa da justiça. Era filho de Osíris e Ísis. Seus caminhos tratam da realidade, da consciência espiritual no presente, embora seja preciso a separação do passado e do futuro, conforme se vê nos arcanos 3, 6, 9, 12, 15, 18 e 21.


Também existe uma grande relação entre o mito de Osíris e os arcanos maiores. Ao observamos com atenção, é possível identificar os deuses nas cartas cuja sequência narra com perfeição o mito de Osíris em suas diversas etapas. As cartas se dividem em dois grupos: o primeiro (arcanos 0 a 8) que mostra os deuses principais e o segundo grupo (arcanos 9 a 21), que conta a história da morte e ressurreição de Osíris. Os arcanos menores mostram os fatos cotidianos e o potencial do consulente, assim como a essência de sua experiência pessoal, o inconsciente individual.